O domínio próprio é uma das qualidades que Pedro lista como traços a serem associados à fé (2Pe 1.5-8). Paulo, de igual forma, destaca-o em Gálatas 5.22-23 como a última das características do fruto do Espírito Santo; e ele emprega exatamente a mesma palavra grega que Pedro usou.

Uma rápida olhada através da lista de Paulo revelará que todas as outras oito virtudes do fruto do Espírito implicam na necessidade do domínio próprio. Mansidão, por exemplo, requer uma certa medida de “retenção piedosa”, uma espécie de “freio de mão piedoso dos impulsos”. Portanto, a pessoa que carece de mansidão, também carece de domínio próprio. Note, pois, que todas essas virtudes estão entrelaçadas. Em termos práticos, qualquer uma delas pressupõe todas as outras.

O domínio próprio é a capacidade de exercitarmos a piedade a ponto de retermos os nossos apetites humanos e paixões carnais. Essa qualidade é praticamente a essência da virtude em si – de modo que uma pessoa de caráter piedoso é mais facilmente distinguida pelo seu extraordinário autocontrole (qualidade tão rara nesses tempos de tanta compulsão).

No desenvolvimento das qualidades do caráter cristão, eis aqui um traço para o qual nós devemos dedicar uma quantidade significativa de atenção e energia. Salomão, que não era de jeito nenhum um mestre do domínio próprio, não obstante, viu a importância desse traço do caráter. Ele escreveu: “Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se” (Pv 25.28). A pessoa que não tem domínio próprio está naturalmente sem defesa contra as tentações de todos os tipos. Sem domínio próprio, portanto, nenhuma outra virtude durará por muito tempo. Elas serão como castelos de areia. E estaremos sujeitos à destruição.

Salomão poderia ser falto de domínio próprio, mas não de sabedoria (1Rs 10.23). Por isso ele sabia o que era necessário para se ter domínio próprio: “Acima de tudo que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). Em outras palavras, o coração é o reservatório da vida. O que dele sai pode ajudar você a crescer, ou pode destruir a sua caminhada com Jesus. Assim também ensinou o SENHOR: “O que sai do homem é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração dos homens que procedem maus pensamentos, imoralidade sexual, furtos, homicídios, adultérios, cobiça, maldade, engano, libertinagem, inveja, blasfêmia, arrogância e insensatez. Todas essas coisas más procedem de dentro do homem e o tornam impuro” (Mc 7.20-23).

Se desejamos realmente obter e cultivar o domínio próprio, precisamos começar pelo nosso coração, pelos nossos pensamentos. Pensamentos e sentimentos pecaminosos causam enormes erosões em nosso caráter. Sigamos o conselho de Paulo: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fl 4.8).

Encorajo você com a mensagem de Romanos 13.13-14, que oferece o melhor conselho que eu conheço para se conquistar o domínio próprio: “Vivamos de modo decente, como quem vive de dia: não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em discórdias e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não fiqueis pensando em como atender aos desejos da carne”.

Pr Leandro B. Peixoto
Do site da IBC de Campinas


Fonte: http://www.jornalpequeno.com.br/2011/1/31/dominio-proprio-144760.htm


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